A Cena do Rock Autoral em Maringá

Editorial por Esquema Rock Livre

Maringá tem uma cena autoral tão imponente (em números) que assusta.

Seria impossível nominar todas as bandas que têm feito um trabalho de alguma relevância no cenário maringaense, algumas se destacando além das terras vermelhas do norte do Paraná, mas apenas para mencionar algumas: Stolen Byrds, Montanas Trio, Retrosense, Azulejo de Vênus, Quarto Mágico, Dog Day, Draw the Line, Left Zero, Kicking Bullets, Corona Kings, Sollado Brazilian Groove, entre tantas outras (fácil somam algumas dezenas de bandas).

Porém, a cidade continua com falta de espaço para essa galera se apresentar. Os rolês de qualidade que surgem são poucos como o Maringá Rock, Arapyau aqui do ERL, além daqueles promovidos pela própria galera das bandas, como o FuzzFestival do Stolen, o Festival Coletivo Independente, Teraluna,  entre outros.

Mas ainda é muito pouco se compararmos ao número de bandas que a cidade possui. O que falta?

Com certeza não é qualidade. Entre as bandas citadas, duas já foram destaque em mídia nacional, uma (o Retrosense) foi destaque no Break Out Brasil da Sony, outra, o Montanas Trio, teve sua música veiculada na chamada da NBA do SportTv do ano de 2015, além de participações memoráveis em festivais pelo Brasil do Sollado, Anônimos, Stolen, e tantos outros.

Espaço? Sim. Falta espaço.

Os donos de bares ainda têm uma postura bastante desconfiada (para não dizer retraída) quanto a rolês autorais. Salvo o Casa da Vó e o Tribos, os demais locais que rolam rock and roll ao vivo possuem bastante restrição quanto a este tipo de rolê. Mas será que os culpados são só eles?

Quando paramos para pensar no grande número de bandas autorais que Maringá e região possui fica difícil entender por que os rolês autorais não dão certo. A conta é simples, se as próprias bandas prestigiarem elas mesmas comparecendo e levando sua galera para conhecer outras bandas não teria um rolê autoral fraco de público.

Exigir que o dono da balada lote a casa de pessoas que nunca ouviram seu som pode não ser a melhor resposta. Se as bandas se mobilizarem para fazer acontecer uma o rolê da outra em pouquíssimo tempo essa relação autoral X casa de shows terá outro resultado, ou seja, as festas dessa galera passarão a ser desejadas pela galera dos bares.

Isso se chama “criar público” e ganhar relevância e isso precisa ser uma ação conjunta. Sempre falo de movimentos de rock que deram certo no Brasil (certo no sentido de que levaram a música ao grande público). Neles podemos citar Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo dos anos 80; Rio Grande do Sul anos 90/2000 e Rio de Janeiro anos 2000. Todos esses cenários têm algo em comum: nenhuma banda daqueles lugares apareceu sozinha. Todos estavam fazendo a cena de seus lugares e tempo acontecer juntos.

Essa união não é sinônimo de portas fechadas. O novo sempre deve ser bem-vindo. E assim, criar e desenvolver, de fato, uma nova cultura na cidade.

Além disso, ainda há muito amadorismo na cena autoral de nossa cidade. Claro que nem toda banda (aliás a maioria delas), possui condição de investimento, mas algumas já podem começar a pensar no “extra-música” colocando no jogo pessoas ligadas ao ramo para profissionalizar o trabalho. Uma boa produção de um show faz toda a diferença, por exemplo. Uma apresentação em um lugar chave, ou em uma festa com visibilidade não pode ser feita como uma apresentação no bar da esquina.

Nós, sinceramente, acreditamos que diferenciais como esses podem marcar um ponto de referência no crescimento do rock autoral maringaense. Mas, como dissemos, tudo começa com a união da galera em prol do som um do outro.

Talvez falte um pouco disso para Maringá se transformar no novo olho do furacão do cenário rock and roll brasileiro.

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